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costureiras impulsionam a economia de Salvador no Carnaval – Prefeitura Municipal de Salvador

Fotos: Jefferson Peixoto/ Secom PMS

Texto: Ascom Semdec

Quando os trios elétricos começam a desfilar pelos circuitos da capital baiana, uma engrenagem econômica (pouco) silenciosa e muito potente já trabalhou meses a fio nos bastidores. São as costureiras de Salvador, artesãs da moda que transformam tecidos em fantasias, adereços e abadás customizados, que garantem não apenas o brilho da festa, mas também a circulação de renda em diversos bairros da cidade.

Dados levantados pela Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda (Semdec), mostram que a cidade abriga 2.887 estabelecimentos formalizados de artigos têxteis e de vestuário.

O vigor do setor é comprovado pelo ritmo de crescimento: nos últimos cinco anos, a média foi de 473 novos negócios abertos por ano. Somando-se a essa estrutura empresarial, há uma força de trabalho de 1.219 costureiras formalizadas, que compõem o núcleo da cadeia produtiva de moda e de estética da capital.

O impacto desse grupo profissional é mais intenso no verão. A proximidade com o Carnaval cria um pico de demanda que movimenta desde os grandes ateliês até a pequena costureira de bairro. Para a secretária da Semdec, Mila Paes, essa vocação faz parte da identidade soteropolitana.

“Quem nunca foi a uma costureira ajustar uma roupa? Se você olhar, verá que Salvador tem uma tradição têxtil e de costura bem interessante. Temos uma cultura e uma moda particulares. Muitas costureiras trabalham o ano todo criando e, em especial, ganham uma clientela maior com a proximidade do Carnaval, seja criando fantasias ou customizando roupas e abadás. São profissionais que movimentam a economia em todos os bairros de Salvador”, pontua.

Qualificação – Para sustentar esse crescimento e garantir que a mão de obra esteja alinhada às exigências do mercado, a Prefeitura, por meio da Semdec, investe pesado em capacitação. Entre 2023 e 2025, o programa já certificou 206 profissionais.

O planejamento estratégico para 2026 já está em curso. Estão contratadas oito novas turmas, totalizando 186 vagas distribuídas em cursos fundamentais: Confeccionadora de Lingerie e Moda Praia; Costureiro(a) sob Medida; Operadora de Máquina de Costura Industrial; Básico de Corte e Costura. As ofertas ocorrerão de forma escalonada nos meses de fevereiro, março, abril, junho e agosto, permitindo um fluxo contínuo de novos profissionais no mercado.

Shirley Sousa, uma empreendedora de costura, que fez capacitação pela Semdec, afirma que o curso foi importante para que pudesse produzir suas próprias peças e não apenas revender peças fabricadas em outros estados.

“Trabalho com acessórios de Carnaval e festas populares, mas sempre vendi produtos dos outros e sempre quis fazer algo para mim. Com o curso, me especializei na parte de corte e modelagem e hoje produzo minhas próprias peças para festas populares. Contratei maquiadora e trancista para gerar valor ao meu trabalho. Quem compra um acessório ganha maquiagem e tranças. Também faço customização de abadás. Tenho muita demanda no Carnaval. No próximo ano, vou montar uma equipe de customização com base na demanda deste ano. Além disso, em 2026, vou expor em um camarote durante o Carnaval”, conta Shirley Souza.

Cadeia produtiva – As qualificações, executadas por meio do programa Treinar para Empregar, visam mais do que o ensino de uma técnica; buscam a autonomia financeira. Segundo Cris Thomaz, diretora da Semdec, o foco é estratégico.

“As qualificações ofertadas pela Semdec no segmento têxtil constituem um instrumento estratégico para o fortalecimento da cadeia produtiva local, ao promover a formação de profissionais alinhados às demandas do setor, tradicionalmente intensivo em mão de obra. Essa qualificação impacta diretamente a empregabilidade, amplia a capacidade produtiva e favorece tanto a inserção no mercado formal quanto a geração de renda no trabalho autônomo, com especial atenção aos públicos historicamente vulnerabilizados”, afirma a diretora.

A costureira Shirley Souza conta que a qualificação abriu portas para ela: “Conheci professores que me dão auxílio até hoje. Onde eu vou, há sempre alguém que agrega valor. Recomendo que todas as costureiras façam o curso e abram seu próprio negócio”.

Vieira Fatima
Professora, moradora de Sento Sé e entusiasmo em jornalismo colaborativo. Trabalho supervisionado por um Editor chefe
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