Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
Salvador recebeu, na manhã desta quinta-feira (28), a abertura do 5º Encontro Regional Nordeste do ICLEI Brasil, evento promovido na capital baiana pelo ICLEI Brasil. Este é o terceiro encontro regional promovido pela instituição em 2026 e reúne, até sexta-feira (29), representantes de governos locais, organismos internacionais, especialistas e lideranças da agenda climática para discutir estratégias de combate à desertificação, restauração ambiental e adaptação às mudanças climáticas no semiárido brasileiro.
A Prefeitura de Salvador participou da abertura do encontro, representada pelo secretário municipal de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler. A iniciativa se conecta diretamente aos resultados da COP30, realizada em Belém, que estabeleceu novos compromissos internacionais relacionados ao clima e à biodiversidade. O encontro também dialoga com a aspiração da região em sediar a COP19 da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD).
Entre os principais objetivos do encontro estão o compartilhamento de experiências exitosas de governos locais e regionais na implementação de ações de mitigação e adaptação climática; o fortalecimento da articulação entre os compromissos assumidos na COP30 e os debates que antecedem a COP19 da UNCCD; além da construção de parcerias estratégicas para o desenvolvimento sustentável da região.
Ivan Euler lembrou que Salvador é associada do ICLEI desde 2017 e destacou a urgência do debate sobre o recaatingamento. “Nós temos essa preocupação com a caatinga já tem algum tempo e aqui, como estamos falando de mudanças climáticas, da elevação do nível da temperatura do planeta, essas regiões de caatinga, nosso semiárido tem uma grande possibilidade de se tornar deserto, desertificar. Então precisamos, desde já, discutir soluções para que a gente evite, ao máximo, que isso aconteça”.
O secretário executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo, afirmou que o encontro tem como principal objetivo discutir o território do Nordeste na perspectiva do bioma da Caatinga, considerando a restauração e a conservação ambiental.
“Devemos pensar também os seus processos de desenvolvimento territorial sustentável, as oportunidades da economia da natureza e as dinâmicas que possam ensejar uma perspectiva positiva a partir do recaatingamento. O segundo é celebrar boas práticas da rede ICLEI, e Salvador nesse caso é uma âncora, é uma referência importante”.
Segundo Perpétuo, ao final do encontro será produzido um documento de referência para orientar estados e municípios. “Nós estamos recebendo a secretária adjunta da Convenção das Nações Unidas do Combate à Desertificação, então esse documento vai ser entregue a ela e serve como um posicionamento coletivo nessa perspectiva de ação”, afirmou.
Um dos destaques da programação foi a palestra magna de Andrea Meza, secretária executiva adjunta da UNCCD, que abordou os desafios globais relacionados à desertificação e à restauração ambiental, além do papel estratégico do Nordeste brasileiro na agenda climática internacional.
“Aqui, faremos uma reflexão coletiva do que estamos enfrentando como humanidade e qual será o papel dos governos, das comunidades, em gerenciar essas soluções em um momento global tão complexo. Para mim, é uma honra estar aqui. Precisamos demonstrar que é possível ter um modelo de desenvolvimento diferente. Um modelo de desenvolvimento que opera dentro do que chamamos de limites planetários e que, ao mesmo tempo, combate às iniquidades sociais. São as políticas públicas que importam, e são as que fazem a diferença em como se atendem os problemas”, disse Andrea.
Ela destacou ainda que a degradação de terras é um desafio global. “Não é só um tema da África, do Nordeste, do Brasil ou de certos lugares. Não há um país que seja imune hoje em dia. A degradação de terras também está afetando as economias e nos afeta em temas chave como a segurança alimentar e a segurança hídrica. Então todos os países estão percebendo a importância da convenção. E por isso cada vez há mais atenção e cada vez temos players globais que querem conectar para buscar essas soluções”.
Fundado em 1990, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade é uma rede global de governos locais e regionais dedicada ao desenvolvimento urbano sustentável. Presente em 130 países, a organização conecta mais de 2.500 administrações públicas e atua no apoio técnico e político para implementação de ações voltadas ao desenvolvimento de baixo carbono, resiliente, circular e baseado na natureza.
Na América do Sul, o ICLEI atua desde 1994 e reúne mais de 150 governos membros. A organização possui escritórios no Brasil, Colômbia e Argentina, atendendo oito países da região e promovendo a territorialização de agendas globais de sustentabilidade e clima.

