A fauna paulista celebra um registro raro e significativo: uma mãe lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) foi flagrada acompanhada de seus três filhotes na região da Estação Ecológica (EE) Barreiro Rico. Localizada entre os rios Piracicaba e Tietê, a área é um ponto estratégico para a biodiversidade do estado, onde a presença da espécie, que está ameaçada de extinção, tem registrado um aumento constante nos últimos anos.
Um refúgio contra queimadas
Um dos pontos de maior destaque na gestão da unidade é a ausência de incêndios florestais desde 2018. Segundo o gestor da EE Barreiro Rico, João Marcelo, esse resultado é fruto de uma articulação contínua entre a Fundação Florestal — vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) —, proprietários rurais, brigadas e órgãos parceiros. A estratégia inclui a criação de aceiros, monitoramento constante e ações de educação ambiental.
Convivência e riscos em áreas rurais
Embora o lobo-guará transite por áreas de mata, o animal também utiliza paisagens agrícolas, como plantações de laranja e eucalipto. A proximidade com o ser humano traz desafios, como o risco de atropelamentos e a exposição a doenças transmitidas por cães domésticos. Para mitigar perigos, a gestão da unidade implementou medidas preventivas, como a instalação de placas de sinalização e, em 2024, a conclusão de uma travessia aérea para animais silvestres sobre a via AHB171.
- Importância ecológica: O lobo-guará atua como dispersor de sementes, auxiliando na regeneração florestal.
- Monitoramento: O sistema Monitora BioSP contabilizou mais de 3 mil registros da espécie em áreas protegidas paulistas entre 2022 e 2025.
- Saúde animal: Especialistas alertam para os riscos de doenças como cinomose e sarna sarcóptica, reforçando a importância da vacinação de animais domésticos nas propriedades rurais vizinhas.
Preservação em rede
A região de Barreiro Rico abrange os municípios de Piracicaba, Botucatu, São Pedro e Anhembi. Com a Estação Ecológica (proteção integral) e a APA (uso sustentável), a área protege fragmentos de Mata Atlântica e transições para o Cerrado. A proteção desses espaços é vital para garantir que espécies como o lobo-guará tenham corredores seguros para alimentação e reprodução. O sucesso do monitoramento reforça a necessidade de manter políticas de conservação que integrem o conhecimento técnico às práticas de convivência local.
Com informações de Agência SP.


