Notícias — Sento Sé Agora
NOTÍCIAS

Butantan cria tecnologia verde para eliminar larvas da dengue e causador da esquistossomose

Pesquisadores do Laboratório de Desenvolvimento e Inovação (LDI) do Instituto Butantan alcançaram um avanço significativo no controle de doenças tropicais. A equipe desenvolveu uma tecnologia baseada em nanopartículas de prata que se mostrou altamente eficaz no combate às larvas do mosquito Aedes aegypti e às cercárias, formas infectantes do verme causador da esquistossomose (Schistosoma mansoni).

Inovação sustentável através de “nanofábricas”

O processo utiliza o conceito de nanotecnologia verde. Em vez de recorrer a reagentes químicos tóxicos, os cientistas utilizam substâncias produzidas pelo fungo Aspergillus tubingensis. Essas biomoléculas atuam como “nanofábricas”, transformando íons de prata em nanopartículas estáveis e seguras. O estudo, que teve seus resultados publicados na revista científica Environmental Science: Nano, destaca que essa solução possui uma alta eficácia biocida.

Impacto ambiental reduzido

Um dos diferenciais da pesquisa é a seletividade. Diferente dos pesticidas e moluscicidas convencionais — que costumam ser tóxicos para peixes e outros animais aquáticos — a nova tecnologia apresenta um revestimento biológico que libera os íons de forma gradual. Testes realizados em parceria com o Instituto de Pesca de São Paulo confirmaram que a concentração necessária para eliminar os parasitas é inofensiva para espécies como tilápias, lambaris e microcrustáceos.

Por que isso importa para a saúde pública?

Essa inovação oferece uma alternativa promissora para o controle de vetores em regiões onde o Aedes aegypti apresenta resistência a inseticidas químicos. Para a esquistossomose, o método permite atacar o ciclo de transmissão na água doce sem comprometer o ecossistema local. Segundo os pesquisadores, a tecnologia alcançou 100% de letalidade contra as cercárias em apenas duas horas de exposição, oferecendo uma nova ferramenta para combater uma doença que ainda é endêmica em várias partes do Brasil.

Estabilidade e proteção da tecnologia

  • Patente: O processo recebeu carta-patente oficial do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 21 de julho de 2026.
  • Durabilidade: As nanopartículas mantêm sua eficácia e estrutura original por mais de cinco anos em temperatura ambiente.
  • Próximos passos: Com a tecnologia validada em laboratório, a equipe busca agora viabilizar o uso em larga escala, associando a suspensão atual a materiais que facilitem o transporte e aplicação no campo.

O desenvolvimento, liderado pela pesquisadora Ana Olivia de Souza e pelo pesquisador Luiz Gustavo Ribeiro, alinha-se ao conceito de Saúde Única (One Health), buscando integrar a proteção da saúde humana com a conservação da biodiversidade brasileira através de métodos de baixo custo e alta eficiência.

Com informações de Agência SP.

Vieira Fatima
Professora, moradora de Sento Sé e entusiasmo em jornalismo colaborativo. Trabalho supervisionado por um Editor chefe
https://sentoseagora.com.br