A preservação da memória cultural brasileira ganhou um impulso fundamental com o anúncio de 50 novos projetos selecionados pelo Programa de Apoio à Infraestrutura de Pesquisa do Estado de São Paulo (PAIP). Lançada em julho de 2025 pela FAPESP, a iniciativa visa modernizar acervos museológicos, bibliográficos, arquivísticos e coleções biológicas, garantindo que registros históricos não sejam perdidos com o tempo.
Impacto prático na preservação da memória
O apoio financeiro e técnico da FAPESP permite que instituições renomadas, como o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) e a Fundação Bienal de São Paulo, adquiram equipamentos de ponta, implementem sistemas de armazenamento digital e realizem a higienização técnica de documentos raros. Para pesquisadores e o público em geral, isso significa maior facilidade de acesso a documentos que antes estavam em condições vulneráveis ou sem catalogação adequada.
Entre os itens que serão tratados, estão correspondências de artistas como Di Cavalcanti, registros fotográficos das atrizes Cacilda Becker e Cleyde Yáconis, e dossiês que remontam às origens das Bienais de São Paulo. A organização desses materiais é vital para que historiadores e estudantes possam reconstruir trajetórias artísticas e entender a formação cultural do país.
Projetos de destaque em São Paulo
- Arquivo Histórico Wanda Svevo (Bienal): O projeto prevê a digitalização e organização de cerca de 100 mil documentos individuais da “Coleção Dossiês de Artistas”, permitindo que informações sobre gênero, raça e etnia sejam sistematizadas na história do evento.
- Centro de Documentação e Memória (MAM): Com investimento de R$ 1,4 milhão, o museu criará o seu “Cedoc” para inventariar quase oito décadas de história, incluindo projetos arquitetônicos de Lina Bo Bardi e registros de exposições históricas.
- Portal do Teatro Brasileiro (Escola Célia Helena): A instituição busca centralizar a história das artes cênicas brasileiras, criando uma rede de informações digital sobre processos criativos e pedagógicos que, muitas vezes, perdem-se após o encerramento dos espetáculos.
Por que a modernização é essencial
A iniciativa vai além da simples conservação física. Como ressaltam os pesquisadores responsáveis, muitos documentos contemporâneos já nascem em formato digital, como e-mails e registros eletrônicos. Sem uma estrutura de curadoria e arquivamento digital, há o risco de uma “lacuna histórica” onde a produção cultural dos últimos anos simplesmente desapareça. Além disso, a padronização dos dados permitirá, no futuro, a integração de arquivos hoje dispersos entre diferentes museus e universidades, facilitando estudos acadêmicos e o acesso público à cultura.
Com informações de Agência SP.


